Bauruense cria programa em rádio espanhola

January 8th, 2010

Minha surpresa foi imensa quando fiquei sabendo através da minha família e de amigos que saiu uma matéria minha no jornal da cidade de Bauru, contando sobre a minha experiência com o programa de radio na universidade, sobre o qual eu já escrevi aqui no blog.

Gostaria de agradecer ao Jornal da Cidade pela publicação e ao jornalista que escreveu o texto.

Segue abaixo a noticia , para ler direto do site do jornal que foi publicado no dia 23 de dezembro de 2009, clique aqui.

23/12/2009 – Cultura

Bauruense cria programa em rádio espanhola

Gustavo Viotto apresenta as notícias sobre os países de origem dos alunos, como o Brasil, em canal universitário Há quatro meses na Espanha, o bauruense Gustavo Viotto é um dos criadores do programa de rádio “UEM Sin Fronteiras”, veiculado em uma das mais renomadas universidades da Europa, a Universidade Européia de Madri (UEM). É também o estudante de rádio e TV quem apresenta a iniciativa, dedicada à divulgação de notícias sobre os países de origem dos alunos como o Brasil.

“Logo no início do intercâmbio, fomos convidados a participar do núcleo de comunicação da instituição, onde alunos espanhóis são os responsáveis pela elaboração das pautas do jornal acadêmico e pela programação diária da web rádio. A proposta era de que todos os alunos contribuíssem com idéias e sugestões para a melhoria dos programas atuais. Então, sugeri a criação de um programa em que os alunos internacionais tivessem espaço para divulgar notícias sobre seus países, para que os espanhóis também conhecessem um pouco de nossa cultura”, conta Gustavo, em e-mail.

A sugestão foi aceita e hoje o programa é veiculado às segundas das 17h05 às 17h30 (horário de Madri) e das 14h05 as 14h30 (horário de Brasília). De acordo com o material de divulgação, essa é a primeira vez que um estudante internacional conquistou tal espaço na rádio, até então conduzida apenas por alunos espanhóis. “Nunca imaginei que seria o primeiro aluno brasileiro a conquistar tal espaço. São experiências como essa que farão o meu intercâmbio se tornar inesquecível”, comemora o bauruense.

Viotto estará no comando do programa até o final de janeiro de 2010, quando retornará ao Brasil, mas pretende continuar colaborando com a equipe do “Uem Sin Fronteiras” por meio do envio de notícias e informações.

Da Redação

De camelo no deserto

January 6th, 2010

Depois de comprar os lenços e ficar a caráter para chegar ao deserto, o carro parou mais uma vez e o motorista disse para pegarmos nossas mochilas e os outros pertences, descemos no meio de um “estacionamento” de camelos. Após dez horas de viagem dentro da van, seguiríamos mais uma parte do trajeto andando de camelo. Não faltava mais nada para me sentir dentro de um filme. Estar a caminho do deserto, vestido como um árabe em cima de um camelo, a viagem me surpreendia cada vez mais.

Subimos cada um no seu camelo, eles estavam amarrados uns aos outros em duas fileiras, onze animais no total, e dois homens puxando os bichos no inicio da fila.

A sensação de andar a camelo não é das mais confortáveis que existe, mas tudo faz parte para entrar no clima dessa experiência. É mais desconfortável que uma bicicleta, balança mais que uma moto velha e é duas vezes mais alto que um cavalo.

A diferença com o cavalo é que não tinha cela e nem onde apoiar os pés. Em cima do camelo tinha uma estrutura de ferro onde segurávamos, e um saco de areia com um cobertor que íamos sentado em cima.

Seguimos andando por uma hora, e pelo caminho não faltaram risadas e gritos de “ai minha perna” e “o que eu to fazendo aqui”, mas foi muito divertido, uma experiência única e indescritível, somente quem já passou por isso sabe como estávamos nos sentido. No meio do caminho um dos camelos se soltou do outro e fiquei para traz, mas logo veio um dos homens que estava puxando no inicio e nos colocou de volta na fila. Com isso nos juntamos a outros grupos que estavam no mesmo passeio que o nosso, e como não poderia deixar se acontecer encontramos mais brasileiros.

Começou a anoitecer e ainda não havíamos chegado a lugar nenhum. Iríamos passar uma noite dormindo no deserto do Saara e no dia seguinte voltaríamos para a cidade.

Quando ninguém mais agüentava estar em cima dos camelos eles pararam e de um em um foram fazendo os camelos deitarem (na posição em que fica no presépio). Como as patas são muito grandes, o animal deita em duas partes, primeiro fica com os joelhos da frente no chão e depois as patas de traz, esse movimento da um tranco, e quem não estiver segurando firme, e mais desavisado pode cair no chão.

O céu estava escuro e não tinha luz nenhuma no lugar, improvisamos luz com as maquinas fotográficas e com os celulares, que surpreendentemente estavam com sinal para fazer ligação do meio do deserto.

Os grupos foram levados cada um para sua tenda, assim que chegamos à nossa, descobrimos que iríamos dormir no chão. Cada barraca tinha colchonete, cobertor e travesseiro para cada um. Banheiro não existia, era preciso usar a criatividade para se aliviar. Nossa sorte é que havíamos levado muitas garrafas de água e algumas barras de chocolate.

Depois de nos acomodar da maneira que dava e dividir onde cada um iria dormir, entrou na nossa tenda um beduíno, aquelas pessoas que vivem no deserto, nos deu as boas vindas e disse algumas palavras em árabe e outras em inglês. Depois ele voltou e nos serviu um chá, que era cheiroso, mas estava muito quente. Enquanto ele colocava o chá nos copos e nos servia, falava um nome árabe para cada um de nós, o meu foi Mohamed.

Depois do chá ele voltou com o jantar. Erram umas panelas de barro cobertas com uma tampa. Dentro da tenda tínhamos um lampião, que além de iluminar um pouco esquentava a barraca. Como a luz era pouca, não enxergávamos muito bem a limpeza ou a falta delas, o negocio era fechar o olho e comer o que tinha. O jantar foi pão, sopa, salada e frango com batata e verduras. O tempero é um pouco forte, mas o sabor é agradável. A sujeira do lugar dava um temperinho especial.

Após comer eles nos avisaram que teria uma apresentação de música ao redor da fogueira. Quando eu sai da barraca me surpreendi com a quantidade de estrelas que tinha no céu, nunca tinha visto daquela maneira. Conforme olhávamos atentamente as constelações vimos algumas estrelas cadentes.

No show que eles faziam ao redor da fogueira, batucavam em uns tambores de plástico e cantavam as músicas na língua dele, que não entendíamos nada, apenas ouvíamos o ritmo. Tudo estava fascinante, eu ainda me sentia no meio de um filme, mas o clima de deserto acabou quando tocou o celular de um dos beduínos que estava cantando e ele parou de batucar e saiu para atender o telefone.

Os brasileiros eram maioria, e como onde tem brasileiro tem festa, pegamos os tambores e batucamos e cantamos algumas musicas brasileiras famosas. Depois do nosso show voltamos a nossa tenda para dormir.

O mesmo homem que serviu o jantar e foi atender o celular, veio nos dizer para apagar o lampião durante a noite. Fizemos e nos arrependemos. Durante a madrugada faz muito frio no deserto, e estávamos dentro de uma tenda de pano, com um cobertor cada um. Eu dormi com duas calças e três camisetas e o moletom com o gorro por cima. Se não tivéssemos apagado o lampião talvez não sentisse tanto frio.

O dia seguinte começou cedo novamente, fomos acordados com eles cantando as músicas do dia anterior, mas como fazia muito frio ninguém tinha vontade de fazer nada e nem sair de baixo das cobertas. Mas criamos coragem, levantamos e saímos de dentro das barracas para ver o deserto pela primeira vez, até então estava tudo escuro e não conseguíamos enxergar muito longe. Do lado de fora havia uma mesa com um café da manhã, com leite, chá, pão e manteiga.

A paisagem é muito bonita, com dunas em todos os cantos, umas maiores outras pequenas, depois de comer fomos tirar fotos em meio à areia. Durante o dia e com a luz da para entender como cada um usou a criatividade para ir ao banheiro.

Andávamos, pulávamos e tirávamos muitas fotos. Queria registrar tudo, mas minha decepção foi quando a bateria da minha câmera acabou, e tomada era a última coisa que existiria num lugar deste, porém estávamos em muitas pessoas e haviam outras máquinas para fotografar.

Depois de tirar muitas fotos, já fomos avisados que teríamos que voltar. E lá se foram mais uma hora andando de camelo até chegar a van e mais dez horas dentro do carro, na mesma estrada com curvas perigosas para voltar para a cidade.

No meio do caminho tivemos algumas outras surpresas, em uma das paradas que fizemos para tirar foto, havia um senhor sentado ao lado de uma caixa de madeira e outro vendendo quadros com pinturas do deserto. Juntamos-nos para tirar fotos, a paisagem era incrível, parecia que tudo havia sido montado para estarmos ali. Depois de tirar a foto e quando estávamos voltando para a van, olhamos para o senhor que estava sentado ao lado da caixa, e ele tirou de dentro dela uma Naja. Pegava a cobra, dançava, colocava em volta do pescoço, colocava na testa, beijava. E observando aquela cena inusitada, não dava para saber quem estava enfeitiçado, o senhor ou a cobra. Esse sim merecia os vinte euros pela foto.

Chegamos à noite em Marrekech, ainda tínhamos pouco tempo para fazer as últimas compras e no dia seguinte pegar o avião de volta para Madrid.

Essa experiência foi única, surpreendente e fascinante, levarei comigo para a vida toda.

Faria tudo novamente, menos pagar os vinte euros pela foto do macaco.

Não tem como voltar de uma viagem como esta igual a quando chegamos. É uma experiência de vida, onde testamos os nossos limites e percebemos o tão longe conseguimos chegar. Depois de sair vivo desta creio que não exista nenhum obstáculo que eu não possa superar.

Passei a dar muito mais valor a que eu tenho agora, depois de ver tantas pessoas vivendo sem nada, nunca poderia imaginar que existissem pessoas que vivessem no meio do deserto, no meio no nada, e nós com tantas coisas ainda encontramos motivos para reclamar.

Deserto do Saara

January 5th, 2010

Um dia depois de chegar a Marrakech, fomos conhecer o deserto do Saara, a experiência mais incrível da minha vida. Tudo que eu tinha visto até então me impressionou muito, mas nada comparado com a sensação de estar no meio do deserto do Saara.

O dia começou cedo, após assistirmos a cerimônia de casamento e dormir ao som da música que animava os convidados, levantamos as cinco horas da manhã e seguimos para a praça dos macacos, como era muito cedo não havia quase ninguém nas ruas e mais uma vez fomos de táxi, seis no mesmo carro. Os macacos também ainda não haviam chegado à praça, mas eu olhava com cuidado por onde andava para não encontrar nenhum deles pelo caminho e dessa vez se encontrasse era eu quem iria mordê-los. Tomamos café da manhã, me impressionou o sabor das frutas de lá, foi o melhor suco de laranja que eu já tomei, e as bananas e maçãs também são muito mais saborosas que as do Brasil, também compramos muitas garrafas de água, pois não sabíamos ainda ao certo  o que iríamos encontrar pela frente.

Entramos na van que iria nos levar, e quando o motorista chegou, descobrimos que ele falava somente francês e árabe. Idioma que nenhum de nós tinha conhecimento.

Eu fui no banco ao lado do motorista e ele olhava pra mim, falava, falava e eu não entendia nada, mas fazia com a cabeço como se estivesse entendendo tudo o que ele dizia. Usamos muita mímica para nos entender, o que no fim nos ajudou muito.

O caminho para chegar ao deserto é longo, de onde estamos eram dez horas de van.

Através do vidro do carro, enxergava outra realidade, algo muito distante do que eu estou acostumado a ver pelas ruas. Ao mesmo tempo em que estávamos muito próximo daquela diferença cultural, me sentia longe e protegido pelos vidros do carro. Sentia-me fazendo um safári, e as pessoas na rua eram os animais.

Após algumas horas quando chegamos à estrada o caminho se tornou monótono e os onze que estávamos na van dormiram. Conforme o carro me balançava acordava um pouco olhava a paisagem e voltava a dormir. Quando o sol saiu de vez, ficou muito calor dentro do carro o que fez com que abríssemos os vidros. O tempo estava muito seco e a poeira piorava tudo. O nariz e a garganta são os primeiros que sofrem com esse tempo.

A cada instante a paisagem mudava, e olhando pela janela parecia um filme que seguia mudando de ritmo. Passávamos por lugares onde não havia nada e de repente surgia um povoado com algumas casas feitas de barro como se fosse castelinho de areia, e do nada desaparecia tudo e voltava à estrada sem nada, até aparecer alguma árvores e plantas que também sumiam pelo caminho.

A única construção grandiosa que vimos pelo caminho foram estúdios de cinema que estavam no meio do nada, e que serviram de cenário para filmes como Gladiador e a Múmia. Eram grandes muros que cercavam as construções e conseguíamos ver alguns restos de cidade cenográfica. O motorista nos explicou, e nessa hora eu praticamente já entendia tudo que ele falava, no horário em que passamos o estúdio estava fechado, mas que era possível fazer visitação no local. A cidadezinha próxima aos estúdios era a que havia mais construções.

O que me chamou muito a atenção, foi em uma dessas cidades que surgiam no meio do caminho da estrada, não havia quase nada, apenas uma parede com uma janela e uma placa com o símbolo da coca-cola pintado. Para entender o poder de uma marca, naquele lugar no meio do nada existia uma propaganda de um produto conhecido e consumido no mundo inteiro.

Depois de muito tempo de viagem, ainda estávamos na metade do caminho e nessa hora todos já estávamos com fome. Paramos para almoçar e o restaurante também era perdido do meio do nada. Foi a primeira vez que eu comi a comida do Marrocos. Não sabia o que pedir, olhava para o cardápio, escrito em inglês, (porque ali era um típico ponto turístico) optei por arroz frango e fritas. Quando a comida e a bebida chegaram, tive duas surpresas, a comida era boa e a garrafa da coca cola era escrita em árabe.

Depois de comer seguimos a viagem, ainda faltava muito para chegar, no final da estrada em que estávamos avistamos de longe uma montanha, e o motorista da van explicou que iríamos subir a montanha e descer do outro lado, eu achei que havia entendido errado, mas foi exatamente isso que fizemos.

Andamos pela pior estrada que eu já andei na minha vida. Pior que qualquer serra que existe no Brasil. Era uma estradinha estreita, com pouca sinalização e os carros que cruzávamos estavam em alta velocidade. Fazíamos curvas pelo caminho, onde de um lado era a montanha e do outro o penhasco. Algumas vezes o motorista queria conversar e olhava para os lados para explicar o que queria dizer e todos ficávamos apreensivos dele tirar os olhos e atenção da estrada. E nessa hora ninguém mais conseguia dormir. Admirávamos a paisagem, eram surpreendentes os desenhos naturais formados nas rochas, tentei olhar para todos os pontos que não fossem a estrada, porque essa dava muito medo.

Fizemos algumas paradas no meio do caminho para ir ao banheiro e comprar alguns souvenires. Quando ele nos avisou que estávamos fazendo a última parada antes de chegar, compramos lenços para colocar na cabeça e chegar a caráter no deserto.

O final da viagem eu conto no próximo texto.

Casamento de novela

January 4th, 2010

Depois de um dia inteirando andando e descobrindo Marrkech, voltamos para o hostel, e já estava quase anoitecendo.

Quando chegamos o casamento já havia começado e o restaurante, no qual ficava o nosso quarto, estava lotado, assim que entramos todos olharam muito estranho para nós, afinal éramos um bando de turistas com roupas que para eles eram diferentes, mochilas nas costas, entrando na cerimônia de casamento, que para eles é muito importante. Logo veio o funcionário que havia nos recebido durante o dia e nos levou para uma porta, que parecia um esconderijo dentro daquele lugar, passamos por corredores estreitos, saímos no fundo de uma cozinha e finalmente chegamos ao nosso quarto. Ele nos disse que era proibido fotografar ou filmar a cerimônia, por ser uma celebração muito importante para eles, e envolta com alguns mistérios e celebrações que nós somente poderíamos observar, sem poder registrar. Nosso quarto era no alto, como se fosse no terceiro andar do restaurante, e o salão onde estava acontecendo a festa do casamento era em baixo, e faltavam alguma telhas no telhado do salão, assim conseguimos assistir um pouco da cerimônia.

Parecia cena da novela o clone, o casamento da Jade. Muitas mesas enfeitadas, as mulheres estavam sentadas separadas dos homens, e pelo que notamos não havia bebidas alcoólicas. A noiva foi levada em cima de um trono, como se fosse a imagem de uma santa na procissão, carregada por quatro homens, que depois fazem o mesmo trajeto e a mesma dança com o marido. Ela estava vestida de branco com uma coroa dourada na cabeça, a roupa parecia pesada porque ela pouco se mexia. No meio do salão havia um altar decorado com duas poltronas, para onde os noivos foram levados pelos quatro homens que os carregavam. A noiva e o noivo pouco se olham durante toda cerimônia e a todo instante ficam varias mulheres ao redor dela arrumando o seu vestido e os apetrechos que ela vestia, e colocando a mão dela sobre a mão do marido, foi o único momento que eles se tocaram.

Tudo impressionava pela grandeza e pelo luxo, a decoração das mesas, as toalhas, as flores. Para animar a festa tinha uma banda tocando musicas ao vivo, e quando todos dançavam as mulheres faziam um barulho com a boca, (o mesmo que era feito na novela, lalalalallal).

Fiquei sem entender o porquê que algumas mulheres vestiam um lenço que cobria o cabelo e outras estavam com o cabelo solto.

Depois de um tempo de danças, começaram a fazer fotos dos convidados com os noivos, cada família de convidados, pelo que eu entendi, ficavam ao redor dos noivos que estavam sentados no altar montado para eles. Como em qualquer lugar existem aquelas crianças pentelhas que ficam correndo por todos os cantos e berrando. Também existem aquelas tias que querem arrumar tudo, como sempre acontece em festa de família.

Depois da seção se fotos foi servido o jantar, os garçons entravam, pareciam que estavam dançando e levavam os pratos para cada mesa, como estava longe não consegui identificar ao certo o que era servido, mas parecia macarrão.

Já estava tarde e precisávamos dormir, pois o dia seguinte ia começar muito cedo.

A música ao vivo seguiu até o outro dia de manhã quando acordamos para ir ao deserto.

Foi um momento único assistir a uma cerimônia como essa, e como não poderia deixar de ser não me contive e tirei algumas fotos e filmei uma parte da cerimônia, com muito medo que alguém chegasse e visse o que eu estava fazendo ou que algum convidado olhasse para o teto na hora enxergasse a câmera fotográfica na minha mão, sabe-se lá o que eles fariam se nos vissem fotografando aquilo tudo.

Macacos me mordam

December 29th, 2009

No primeiro dia em que estávamos descobrindo Marrakech, após almoçar no McDonalds, saímos para conhecer a cidade depois de andar pelas avenidas do centro chegamos a uma praça, todos que já foram indicam conhecer este lugar.

Havia muita gente, e vários guarda-sóis no meio da praça, em cada um deles uma surpresa diferente. Algumas mulheres ofereciam tatuagem de hena, outros vendiam lembranças, e o que mais chamou atenção era o que tinham cobras. Um senhor estava sentado no chão com um pandeiro nas mãos e com varias cobras ao redor, inclusive uma naja, que parecia enfeitiçada pelo barulho que ele fazia. Outros homens ao redor tocavam flauta e diversos instrumentos, tudo para chamar atenção da cobra e dos turistas. Elas estavam soltas no chão e ficavam enroladas, algumas menos venosas eram oferecidas aos turistas que queriam tirar foto. Eu nem me atrevi a chegar muito perto.

As cobras não eram os únicos animais que estavam ali para serem fotografados, tinha também uns macacos que eram levados na coleira para tirar foto com os turistas.

Foi só ficar parado um pouco no meio da praça e logo surgiram vários homens oferecendo os macacos para fotografar, e antes de responder alguma coisa, eles já tinham colocado um macaco em cada um dos meus braços. Eles pareciam gente, e se comportavam como crianças pegando na ponta dos meus dedos, os donos não saiam do lado dos animais. Até ai estava muito divertido, todo mundo dando risada, mas depois das fotos eu virei às costas e sai andando, e o dono dos macacos veio atrás de mim cobrar pela foto, como tudo naquela praça, era preciso pagar para fotografar, mas eles não dizem isso antes, quando te oferecem o macaco com um sorriso no rosto e muita simpatia. A cara no homem fechou na hora, e o sorriso deu lugar a um ar sério que ficava intimando para que eu pagasse pela foto. Eu tirei umas moedinhas no bolso, pensando que aquilo seria muito para um simples fotos com dois macacos. Enquanto eu conversava com o homem o macaco estava no meu pé preso pela coleira.

O homem olhou as moedas e disse que queria papel, notas de dinheiro, eu respondi dizendo que não tinha dinheiro, e fui me afastando, e o homem gritando e falando que queria papel, papel. Nessa hora cada um dos meus amigos estava entretido em um lado da praça e o homem ali gritando e falando do papel e eu dizendo que não tinha, cada vez que eu me afastava ele ia mais perto, como se estivesse me assaltando.

Foi então que para minha surpresa ele gritou com o macaco que estava no chão perto do meu pé e deu um puxou na coleira do bicho, que mordeu a minha perna.

Nessa hora eu me assustei foi a primeira vez que eu pensei: meu deus o que eu to fazendo aqui. Nunca que eu iria imaginar que após a foto aquele macaquinho que parecia um bebe no colo ia morder a minha perna.

E o homem não parava de falar, misturava árabe com inglês e ficava falando que queria dinheiro em papel, pra piorar se aproximou o dono de outro macaco que disse que tinham pagado vinte euros pela foto com outros macacos. Nessa hora eu já estava desesperado e sem saber o que fazer, se eu saísse correndo todos os macacos que estavam lá iriam me perseguir e morder minha perna de uma vez.

Procurei pelos bolsos, e a primeira nota que eu puxei foi uma de vinte euros, mas era muito pela foto, ainda mais depois do macaco ter mordido a minha perna.

Mas eu estava sem reação e a primeira coisa que eu fiz foi dar o dinheiro para me ver livre do homem e daqueles macacos.

Só depois que eu saí de perto deles que eu senti a dor da mordida, minha sorte foi que eu estava de calça jeans e meias até o joelho, o dente no macaco não chegou a encontrar na minha perna, mas a pressão causada pela mordida deixou um roxo que durou por toda a viagem, na hora eu limpei com álcool gel, e não havia o que fazer, farmácia não existia e sujeira era tanta que se eu fosse pedir ajuda em algum lugar era capaz de piorar a situação.

Eu não consegui ficar com raiva dos macacos, porque depois eu percebi como eles eram mal tratados pelos seus donos, esses sim eu fiquei com muito ódio. Eles andam pela praça amarrados em correntes com uma coleira no pescoço que parece incomodar muito, toda hora eles colocam a mão na coleira para tentar se soltar e os donos ficam com uma varetas na mão para bater e repreende-los. Eles são muito treinados e obedientes aos donos, já ouvi histórias de gente que foi roubada pelo macaco que colocou a mão no bolso da pessoa ou que tentou tirar o anel dos dedos dos turistas, que ficam encantados com as fotos não prestam atenção no que eles estão fazendo.

Eu levo isso como um presente especial que eu ganhei para nunca esquecer essa aventura que foi viajar pelo Marrocos e para nunca esquecer o macaco, a mordida e os vinte euros.

Ônibus voador

December 28th, 2009

Devido à proximidade de alguns dos paises europeus, viajar pelo continente é fácil, a distancia entre eles, às vezes, é menor do que a de cidades dentro do Brasil.

O que facilita ainda mais as viagens por aqui, são as empresas aéreas de baixo custo, que vendem passagens baratas de avião a diversos destinos. O que torna um motivo a mais para aumentar a vontade de conhecer as diferentes culturas.

Porém nem sempre é fácil uma viagem nessas empresas.

Sempre temos que estar de olho no site das companhias para ver se existe alguma promoção, se tem algum destino que esta mais barato. É possível encontrar um vôo de Madrid até Porto em Portugal, por irrisórios dois euros, ou para Londres por 17. Foi em uma dessas que eu encontrei as passagens para o Marrocos por 39 euros.

Tudo é pago com cartão de crédito e nessa hora nem tudo é o que parece ser. Muitas vezes as passagens que tem um valor muito baixo, possuem taxas de emissão, taxa de chek in oline, taxa do cartão de crédito, e diversas outras taxas, que fazem aumentar o preço final da passagem, mas mesmo assim continua barato se considerarmos o destino que iremos conhecer.

Após comprar pelo site, recebemos um e-mail com a confirmação da compra. Quinze dias e até quatro horas antes do vôo, temos que imprimir o bilhete da internet e quando chegamos ao aeroporto temos que carimbá-lo no guichê da companhia.

Os horários dos vôos são preestabelecidos, e na maioria das vezes são os horários mais adversos. Faz com que tenhamos que dormir no aeroporto na véspera do vôo, pois a linha de metro e ônibus só começam a funcionar a partir das 5 horas da manhã, e se o vôo sai as 6, não conseguiríamos chegar a tempo. Se não estiver sozinho a tarefa de dormir no aeroporto se torna divertida, sempre tem muita gente que opta pela mesma opção, e se acomoda onde cabe, no chão, encostado no poste, na parede, deitado no sofá, em cadeiras, no carrinho de colocar as malas, enfim vai de cada um.

Baralhos e jogos fazem o tempo passar mais rápido, ou então um livro ou revista se tornam outra opção de passatempo.

O avião das companhias low coast, são apelidados de ônibus voador. Não possuem nenhuma mordomia que as grandes aeronaves oferecem aos seus clientes.

Só é permitido levar uma bagagem de mão pequena, caso o tamanho da mala exceda o permitida pela cia, eles cobram uma multa, que muitas vezes é mais cara que o valor da passagem. Sempre temos que tomar cuidado com o tamanho das malas que fazemos de acordo com os dias que ficaremos viajando, levando somente o necessário.

Líquidos e objetos cortantes são proibidos. Embalagem de shampo ou de pasta de dente muito grande eles obrigam a jogar fora antes do embarque. Nem mesmo garrafa de água é permitida.

Dentro do avião é cada um por si, as passagens não tem acentos definidos, para entrar antes e ter o privilégio de escolher seu banco, é necessário pagar uma taxa adicional, e aqueles que chegam antes escolhem melhor seu lugar. Eu prefiro sentar próximo as saídas de emergência, onde o espaço para as pernas é maior.

O banco não reclina, e para dormir ficamos com a cabeça inclinada para frente.

Antes de decolar as aeromoças passam os comandos, como acontece em qualquer vôo, e nada mais, não existe serviço de bordo, caso desejar comer alguma coisa, são vendidos lanches, sucos e refrigerantes, mas são produtos caros.

Como o tempo de vôo é curto, não sentimos muito a viagem. A expectativa pelo que vamos conhecer é grande e torna qualquer percalço desses facilmente superáveis.

Às vezes temos problemas com as malas na volta. Se já sair de casa com a mala cheia e no lugar em que estivermos comprar muita coisa, a mala não vai fechar. E para não ter que pagar multa por excesso de bagagem, vestimos varias roupas, como colocar duas calças jeans, vestir camiseta, camisa, moleton, jaqueta e o abrigo, colocar quatro meias, enrolar camisetas e guardar no bolso, tudo  para aliviar o espaço da mala, algumas pessoas parecem estar de armadura, devido a quantidade de roupas que vão vestindo, e andam pelos estreito corredor do avião com um pouco de dificuldade.

Porem tudo isso faz parte para que a nossas experiências sejam ainda mais proveitosas.

Para conhecer mais das ofertas de vôos de baixo custo pela europa visite:

www.ryanair.com

www.easyjet.com

www.vueling.com

beijos e abraços

Gustavo Viotto

O pior dia da semana no mundo todo.

December 23rd, 2009

Segunda feira é o pior dia da semana em qualquer parte do mundo, aqui na Espanha não é diferente. Comecei o dia com o pé esquerdo!

Depois de um final de semana muito agitado, acordei atrasado para a aula, me arrumei muito rápido, tanto que me esqueci de colocar um pé da meia, justo a do esquerdo. Fui para o ponto de ônibus, na esperança que ele chegasse logo, mero engano. Esperei mais que o normal para o ônibus passar, mas agora eu já aprendi os números certos e nunca mais peguei o ônibus errado para a universidade.

Depois de muito esperar finalmente o ônibus chegou, e estava lotado, tive que ir em pé. Dificilmente os ônibus aqui são muito cheios, e na maioria das vezes eu vou sentado até a universidade. Desta vez ele balançava mais que o normal eu fui me equilibrando pra segurar a mochila o notebook e não cair no chão. Enfim cheguei à universidade, estava com quinze minutos de atraso, e pontualidade é muito cobrada por todos os professores dentro da sala de aula. Fui correndo até o prédio em que tinha aula, a distância entre os prédios da universidade parece que aumenta conforme a nossa pressa.

Finalmente estava perto da minha sala de aula, quando eu vejo algumas pessoas no corredor, pensei que o professor não havia os deixado entrar. Era pior, uma das espanholas que tem aula comigo disse “hoje vai ter prova surpresa, metade da sala já esta fazendo e nos entramos em seguida quando eles terminarem”.

Era só o que faltava para completar a minha segunda feira com cara de segunda feira.

A matéria não era difícil e a primeira turma demorou um pouco para sair da sala, tempo mais do que suficiente para rever todas as anotações que eu havia feito no caderno e outras que eu tinha escrito no notebook, para piorar a bateria do computador acabou e eu estava sem o adaptador que preciso para ligar na tomada.

À essa hora já estava repetindo a frase “não deveria ter saído da cama hoje.”

Tudo isso poderia ter acontecido em outro dia da semana, mas foi justo na segunda, e tudo de uma vez.

A prova tinha duas partes, uma teórica com dez questões e outra prática que devíamos fazer no computador, em um software de edição de áudio que chama protools. Cinqüenta minutos para fazer as duas etapas, tempo que parecia mais que suficiente.

Fiquei editando o vídeo que tínhamos de base para colocar nas imagens os sons adequados e fazer o comercial ter sentido, estava dando tudo certo quando o professor passa avisando que tínhamos somente mais dez minutos para terminar tudo, e eu ainda não havia começado a responder as questões da prova teórica. Terminei de editar e salvei o que tinha feito e logo comecei a responder as questões. As primeiras estavam fáceis e eu tinha acabado de ler os resumos que fiz no caderno antes da prova, porém as ultimas eram sobre as aulas que eu anotei no note book e que não consegui reler. Duas eu respondi na incerteza, para não deixar a questão em branco, e com pressa pois o tempo já estava acabado e restava na sala somente eu e a aluna espanhola que me avisou da prova, revisei as questões para ver se não estava esquecendo de nada e antes de entregar me dei conta que não havia preenchido meu nome.

Quando o professor foi entregar as provas ele chamou um por um e corrigiu a prova na nossa frente. Só então ele disse que para cada questão errada ele descontava meio ponto das questões que estavam corretas e se a questão estivesse em branco ele não descontava e nem agregava nota, ou seja, deveria ter deixado as duas questões que eu não tinha certeza em branco. Assim teria uma nota melhor, pois elas estavam erradas e foi descontado um ponto da minha nota. A nota da parte pratica foi melhor e compensou a nota da outra prova.

Não via a hora de voltar para a casa e dormir logo para que essa segunda feira terminasse e a semana  ficasse mais próxima do outro final de semana.

Nunca mais vou levantar correndo e sair de casa sem um pé de meia.

Paisagem coberta de gelo

December 22nd, 2009

O frio começou de vez, ainda estamos no outono, o inverno só começa oficialmente dia 21 de dezembro, porém as temperaturas aqui em Villaviciosa já estão baixas há algumas semanas.

Esse final de semanas todos fomos pegos de surpresa.

Eu aproveitei esses dias para descansar e terminar algumas coisas da universidade que estavam pendentes, e dormir muito.

Domingo acordei a meia noite, estava com fome e não tinha nada para fazer um lanche, sai e fui até Opencor, um mercado da rede El Corte Inglês, que fica aberto até as 2horas da manhã, o único em vila que fica aberto após as nove da noite. Na rua estava ventando muito e fazia muito frio, e como eu tinha acabado de acordar ainda estava quente da cama. Como de costume para lanches rápidos, comprei uma pizza pronta, e um pacote de batata frita. Quando eu estava voltando pra casa eu vi que tinha alguma coisa caindo do céu, mas eu não prestei atenção para ver o que era, parecia fuligem. Quando eu entrei em casa comentei que estava muito frio e que tinha visto uma sujeira caindo na rua. Fui fazer minha pizza, e entrei na internet, o termômetro marcava -3graus.

Foi ai que eu me dei conta que aquela fuligem que estava caindo do céu, na verdade era neve, como eu nunca vi nevar não sabia como era. Depois de comer voltei pra minha cama e continuei na internet, e vários amigos vieram me falar para olhar pela janela do quarto que estava nevando. Logo abri a cortina e as duas janelas sem pensar no frio que estava fazendo lá fora. Me surpreendi com o que estava vendo. Caindo uns pedacinhos pequenos de neve parecido com aqueles pedaços de gelo que caem no copo quando fazemos raspadinha. Foi um sonho de criança realizado, ver nevando pela primeira vez. Aos poucos os carros na rua foram sendo cobertos por uma fina camada branca, assim como os galhos das arvores e suas folhas, o chão da praça…

A imagem era como de uma pintura, mas o vento fazia com que aumentasse a sensação térmica do frio. Fechei a janela mas continuei vendo a neve cair, parecia que estava assistindo pela televisão ao filme esqueceram de mim.

Deu vontade de sair pulando pela casa, mas não podia fazer isso pois já era tarde e estavam todos dormindo.

Já não conseguia mais dormir e voltei para o computador e fiquei a madrugada comentando as postagens que saiam no facebook, orkut, msn. Todos estavam comemorando a neve que caia em Villaviciosa.

Depois de um tempo eu cochilei, mas como a cortina estava assim que o sol apareceu eu acordei novamente e fui olhar na janela como estava a paisagem. Os carros estavam ainda mais cobertos e as arvores da praça ainda mais brancas.

Coloquei varias calças e varias blusas e sai pela rua para tirar foto.

As imagens que saiam na câmera pareciam ter sido montadas, mas eu estava apenas registrando o que estava vendo com meus olhos.

Como era muito cedo não tinha quase ninguém na rua e eu não pude dividir com ninguém a alegria que eu estava sentindo em ver neve pela primeira vez.

Conforme o sol foi ganhando intensidade, a neve foi derretendo e em pouco tempo as imagens que eu estava vendo foram sumindo da rua.

Segui para a universidade, onde ainda haviam algumas partes com um pouco de gelo no jardim, e o lago que tem entre os prédios A e B estava com a superfície congelada, parecia uma fina camada de vidro sobre o lago, que conseguíamos quebrar com os pés.

O comentário do dia foi a neve na cidade, os que conseguiram acordar cedo contavam entusiasmado o que tinham visto, e os que dormiram até mais tarde ficaram bravos por não terem visto a neve. Os professores disseram que como já tinha começado a nevar antes do inverno, poderemos esperar por mais dias de neve aqui. E a temperatura para esse final de semana prevê -9º.

Agora só preciso esperar e separar as roupas pesadas para suportar o frio e ficar admirado com a paisagem coberta de gelo.

Marrocos da beleza e do caos

December 15th, 2009

Desembarcar no aeroporto de Marrakech no Marrocos é como descer de uma nave em outro planeta há duzentos anos atrás.

Após descer do avião, passar pelo raio x e pela policia tive que me habituar aos poucos com o lugar em que estava. Tudo era completamente diferente. Ainda no aeroporto trocamos o dinheiro, 1 euro, valem 11 Dirham, dinheiro do Marrocos, com 140 euros eu tinha pouco mais de 1.340 Dirham. Saindo do aeroporto e vendo uma das avenidas da cidade já impressionava pelo trânsito caótico, porém o mais impressionante mesmo foi ver uma mulher com a burca pela primeira vez. Elas andam pelas ruas cobertas dos pés a cabeça, somente com os olhos enigmáticos aparecendo. Olhos que ao mesmo tempo expressão muito e não dizem nada. Buscamos um taxi para chegar até o nosso albergue, estávamos em onze pessoas, e subimos em 6 dentro de um carro. Andando pela cidade a bagunça no trânsito era pior que São Paulo e a pobreza nas calçadas chamavam muito atenção.

Algum tempo depois o motorista do táxi disse que o endereço que buscávamos estava perto, mas que o carro não passava pelas ruas, teríamos que seguir andando. Tínhamos um mapa e o nome da rua nas mãos e fomos procurando o lugar. Andamos por ruas, becos e vielas e não encontrávamos o nosso hostel. Perguntei para uma senhora que olhou o papel e começou a resmungar em árabe, lá as mulheres não sabem ler nem escrever, e elas não podem falar com outro homem a não ser seu marido. Quando nos aproximamos de outra para perguntar a ela o endereço, logo um rapaz de bicicleta veio e disse que não conhecia o nome da rua. Andávamos de um lado para o outro sem saber o que fazer. Estávamos em um país completamente diferente do nosso, com uma língua estranha e costumes inusitados.

Nessa hora o instinto de sobrevivência fala mais alto, eu tinha certeza que mais cedo ou mais tarde encontraríamos o que estávamos buscando, e torcendo para que fosse o quanto antes. Todos os turistas que víamos pela rua perguntávamos sobre o nosso endereço na esperança que alguém conhece-se o lugar em que iríamos dormir, mas nada, os que nos entendiam pouco podiam ajudar. Depois de muito tempo andando sem rumo um senhor se prontificou a nos ajudar, um francês que falava um pouco de inglês disse para que nos o acompanha-se, porem depois de andarmos muito não encontramos o nosso albergue, foi quando um senhor perguntou aonde iríamos e quando mostramos o endereço a ele nos disse que já havia trabalhado nesse lugar. Nos acompanhou ate a porta do albergue, e percebemos que já havíamos passado por esse lugar algumas vezes. A recompensa foi grande, quando entramos no albergue parecia cenário de novela, com mosaicos pelas paredes e portas típicas de filme. Um funcionário nos levou até o terraço para esperarmos porque os nossos quartos ainda não estavam prontos. Do lugar em que estávamos tínhamos uma vista de grande parte da cidade.

Depois de um tempo esperando o funcionário do lugar nos serviu um chá. La eles não tem nada, mas o pouco que possuem dividem com os turistas e não medem esforços para nos agradar. Ele nos disse que a noite haveria um casamento típico no restaurante, foi ai que eu comecei a entender o lugar em que estávamos, era um quarto nos fundos de um restaurante. Nada com muito luxo ou muito conforto, apenas um lugar para passar a noite. Dentro do quarto havia três camas e um banheiro, que não tinha porta, e tudo era muito baixo, tinha que me policiar para não bater a cabeça no teto. Depois de deixarmos as coisas no quarto fomos conhecer o centro da cidade, mas a essa hora todos já estávamos com muita fome, decidimos almoçar McDonalds, pois ainda não sabíamos como era a comida de lá e limpeza percebi que não havia em nenhum lugar.

Andando pelas ruas ao redor do lugar em que estávamos me senti em meio a uma grande favela, onde nenhum serviço básico, como o esgoto, parecia existir. Muitos velhos ficam sentados pelas ruas pedindo esmola, alguns expõem doenças na face e pelo corpo que impressionam ao primeiro olhar. A rua não tinha asfalto, era terra batida, e tudo era muito empoeirado. Andamos até uma praça onde pegamos um táxi, e novamente 6 pessoas no mesmo carro, e chegamos ao McDonalds, típico ponto para encontrar turista em qualquer lugar do mundo, o lanche é muito parecido com o Brasil, a exceção é o Mc Arábia, um lanche com pão sírio e carne moída (que eu pensei ser carne de camelo, mas não era).

Quando saímos do restaurante vimos uma discussão na rua entre duas mulheres e muitas pessoas envolta observando. Andei pela avenida principal da cidade, e a cada placa que via na rua estava escrita em árabe e com tradução em francês o que não nos ajudava muito. Seguimos ate uma mesquita, um lugar que eles têm muito respeito e é o cartão postal da cidade. Chegamos até a praça de comércio da cidade onde haviam muitos animais soltos (e merecem um post só sobre eles).

Depois de andar muito, o choque cultural é gigantesco, os costumes, tudo era completamente diferente do que eu estava acostumado, mas foi um aprendizado incrível. Voltamos para o hostel, porém dessa vez havíamos esquecido o mapa com o nome e tudo mais em cima da cama, andamos por horas e horas até encontrar novamente o albergue. Mais uma vez o instinto de sobrevivência fala mais alto, e temos que estar preparados para todas as adversidades de uma viagem como essa.

Higiene é uma coisa que eles não possuem, entre os becos e vielas havia algumas ruas de comércio e a cada portinha uma infinidade de produtos diferentes, em meio aos carros que passavam e as motos, as bicicletas, os cachorros, os burros de carga, um caos!

Como o nosso dinheiro vale muito mais que o deles, pechinchar os preços é imprescindível para fazer boas compras, por indicação de outros brasileiros que encontramos na viagem, achamos um guia que nos levou em uns becos onde eles vendiam as mercadorias para os ambulantes revenderem. Se um colar custa 50 Dirhans, eles pedem 200 Dirhans, e nós oferecemos cinqüenta, eles dizem que é pouco, e ai começa a negociação e vence o mais forte, quanto mais firme somos na nossa oferta mais eles vão reduzindo os preços. Depois de um tempo se torna divertido negociar com os vendedores, sempre oferecemos o mais baixo possível, ou pegamos algo com as mãos olhamos, olhamos, falamos: “não quero” e saímos, ai o vendedor vem atrás e reduz o preço, e assim segue em cada loja.

A frase que mais me marcou durante a viagem, foi dentro de uma dessas lojas que vendem suvenires típicos marroquinos, eu perguntei o preço de uma caixa de madeira e disse que era estudante brasileiro, que não tinha dinheiro, que era pobre e era do Brasil, foi quando o vendedor olhou nos meus olhos e respondeu, “Marrocos é pobre, Marrocos não tem dinheiro, Brasil rico”. Olhei para ele engoli seco e refleti muito com essa frase.

Nós vivemos com tanto, e sempre encontramos problemas em nossas vidas e eles vivem sem nada e vivem, vivem sem perspectiva nenhuma de futuro, levam a vida ao acaso, não fazem planos.

Todos expressam no rosto muito sofrimento, e desilusão, é um povo esquecido. Para nós que estamos acostumados com tantas regalias e tecnologias, e eles não possuem nada de moderno, nada de novo, tudo é muito antigo, velho, porém tudo é muito impressionante. Estar por esse período na cidade foi à experiência mais enriquecedora da minha vida.

1 ano excepcional!

December 9th, 2009

2007 foi um ano incrível!

A ideia eram 6 meses de intercâmbio em Madrid, mas a experiência foi tão magnifica que não me contive e acabei ficando mais 6!

Sem dúvida alguma, cresci. Vivi e aprendi muito. Sair ou despegar-se da rotina te faz perceber que o mundo é muito maior do que se pode imaginar e que cada pequeno acontecimento pode ser um grande aprendizado: jamais me esquecerei do dia em que consegui preparar meu primeiro prato de comida sozinha, por exemplo!!!

Me formei mas não trabalho na área. Sou atleta. E, com certeza, ter morado fora me influenciou muito ao decidir que faria o que amo, ao invés de ficar correndo eternamente atrás do que possivelmente me traria mais dinheiro.

Estar longe dos amigos e da familia te permite se conhecer melhor sem a influência deles e isso é, apesar de não parecer, impagável. Não subestimo o amor que existe nestes casos, mas quando você volta, esse amor é maior ainda e você também os valoriza muito mais.

Ademais, Madrid é linda, encantadora! Sempre há o que fazer, lugares para conhecer e paisagens para admirar. A proximidade com os demais paises europeus permitiu que eu realizasse alguns sonhos, como o de conhecer a Holanda, país onde nasceu meu pai, por exemplo.

Não há duvidas de que a viagem vale a pena. Obrigada, Anhembi Morumbi!!!

Adriana Overgoor