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De camelo no deserto

Wednesday, January 6th, 2010

Depois de comprar os lenços e ficar a caráter para chegar ao deserto, o carro parou mais uma vez e o motorista disse para pegarmos nossas mochilas e os outros pertences, descemos no meio de um “estacionamento” de camelos. Após dez horas de viagem dentro da van, seguiríamos mais uma parte do trajeto andando de camelo. Não faltava mais nada para me sentir dentro de um filme. Estar a caminho do deserto, vestido como um árabe em cima de um camelo, a viagem me surpreendia cada vez mais.

Subimos cada um no seu camelo, eles estavam amarrados uns aos outros em duas fileiras, onze animais no total, e dois homens puxando os bichos no inicio da fila.

A sensação de andar a camelo não é das mais confortáveis que existe, mas tudo faz parte para entrar no clima dessa experiência. É mais desconfortável que uma bicicleta, balança mais que uma moto velha e é duas vezes mais alto que um cavalo.

A diferença com o cavalo é que não tinha cela e nem onde apoiar os pés. Em cima do camelo tinha uma estrutura de ferro onde segurávamos, e um saco de areia com um cobertor que íamos sentado em cima.

Seguimos andando por uma hora, e pelo caminho não faltaram risadas e gritos de “ai minha perna” e “o que eu to fazendo aqui”, mas foi muito divertido, uma experiência única e indescritível, somente quem já passou por isso sabe como estávamos nos sentido. No meio do caminho um dos camelos se soltou do outro e fiquei para traz, mas logo veio um dos homens que estava puxando no inicio e nos colocou de volta na fila. Com isso nos juntamos a outros grupos que estavam no mesmo passeio que o nosso, e como não poderia deixar se acontecer encontramos mais brasileiros.

Começou a anoitecer e ainda não havíamos chegado a lugar nenhum. Iríamos passar uma noite dormindo no deserto do Saara e no dia seguinte voltaríamos para a cidade.

Quando ninguém mais agüentava estar em cima dos camelos eles pararam e de um em um foram fazendo os camelos deitarem (na posição em que fica no presépio). Como as patas são muito grandes, o animal deita em duas partes, primeiro fica com os joelhos da frente no chão e depois as patas de traz, esse movimento da um tranco, e quem não estiver segurando firme, e mais desavisado pode cair no chão.

O céu estava escuro e não tinha luz nenhuma no lugar, improvisamos luz com as maquinas fotográficas e com os celulares, que surpreendentemente estavam com sinal para fazer ligação do meio do deserto.

Os grupos foram levados cada um para sua tenda, assim que chegamos à nossa, descobrimos que iríamos dormir no chão. Cada barraca tinha colchonete, cobertor e travesseiro para cada um. Banheiro não existia, era preciso usar a criatividade para se aliviar. Nossa sorte é que havíamos levado muitas garrafas de água e algumas barras de chocolate.

Depois de nos acomodar da maneira que dava e dividir onde cada um iria dormir, entrou na nossa tenda um beduíno, aquelas pessoas que vivem no deserto, nos deu as boas vindas e disse algumas palavras em árabe e outras em inglês. Depois ele voltou e nos serviu um chá, que era cheiroso, mas estava muito quente. Enquanto ele colocava o chá nos copos e nos servia, falava um nome árabe para cada um de nós, o meu foi Mohamed.

Depois do chá ele voltou com o jantar. Erram umas panelas de barro cobertas com uma tampa. Dentro da tenda tínhamos um lampião, que além de iluminar um pouco esquentava a barraca. Como a luz era pouca, não enxergávamos muito bem a limpeza ou a falta delas, o negocio era fechar o olho e comer o que tinha. O jantar foi pão, sopa, salada e frango com batata e verduras. O tempero é um pouco forte, mas o sabor é agradável. A sujeira do lugar dava um temperinho especial.

Após comer eles nos avisaram que teria uma apresentação de música ao redor da fogueira. Quando eu sai da barraca me surpreendi com a quantidade de estrelas que tinha no céu, nunca tinha visto daquela maneira. Conforme olhávamos atentamente as constelações vimos algumas estrelas cadentes.

No show que eles faziam ao redor da fogueira, batucavam em uns tambores de plástico e cantavam as músicas na língua dele, que não entendíamos nada, apenas ouvíamos o ritmo. Tudo estava fascinante, eu ainda me sentia no meio de um filme, mas o clima de deserto acabou quando tocou o celular de um dos beduínos que estava cantando e ele parou de batucar e saiu para atender o telefone.

Os brasileiros eram maioria, e como onde tem brasileiro tem festa, pegamos os tambores e batucamos e cantamos algumas musicas brasileiras famosas. Depois do nosso show voltamos a nossa tenda para dormir.

O mesmo homem que serviu o jantar e foi atender o celular, veio nos dizer para apagar o lampião durante a noite. Fizemos e nos arrependemos. Durante a madrugada faz muito frio no deserto, e estávamos dentro de uma tenda de pano, com um cobertor cada um. Eu dormi com duas calças e três camisetas e o moletom com o gorro por cima. Se não tivéssemos apagado o lampião talvez não sentisse tanto frio.

O dia seguinte começou cedo novamente, fomos acordados com eles cantando as músicas do dia anterior, mas como fazia muito frio ninguém tinha vontade de fazer nada e nem sair de baixo das cobertas. Mas criamos coragem, levantamos e saímos de dentro das barracas para ver o deserto pela primeira vez, até então estava tudo escuro e não conseguíamos enxergar muito longe. Do lado de fora havia uma mesa com um café da manhã, com leite, chá, pão e manteiga.

A paisagem é muito bonita, com dunas em todos os cantos, umas maiores outras pequenas, depois de comer fomos tirar fotos em meio à areia. Durante o dia e com a luz da para entender como cada um usou a criatividade para ir ao banheiro.

Andávamos, pulávamos e tirávamos muitas fotos. Queria registrar tudo, mas minha decepção foi quando a bateria da minha câmera acabou, e tomada era a última coisa que existiria num lugar deste, porém estávamos em muitas pessoas e haviam outras máquinas para fotografar.

Depois de tirar muitas fotos, já fomos avisados que teríamos que voltar. E lá se foram mais uma hora andando de camelo até chegar a van e mais dez horas dentro do carro, na mesma estrada com curvas perigosas para voltar para a cidade.

No meio do caminho tivemos algumas outras surpresas, em uma das paradas que fizemos para tirar foto, havia um senhor sentado ao lado de uma caixa de madeira e outro vendendo quadros com pinturas do deserto. Juntamos-nos para tirar fotos, a paisagem era incrível, parecia que tudo havia sido montado para estarmos ali. Depois de tirar a foto e quando estávamos voltando para a van, olhamos para o senhor que estava sentado ao lado da caixa, e ele tirou de dentro dela uma Naja. Pegava a cobra, dançava, colocava em volta do pescoço, colocava na testa, beijava. E observando aquela cena inusitada, não dava para saber quem estava enfeitiçado, o senhor ou a cobra. Esse sim merecia os vinte euros pela foto.

Chegamos à noite em Marrekech, ainda tínhamos pouco tempo para fazer as últimas compras e no dia seguinte pegar o avião de volta para Madrid.

Essa experiência foi única, surpreendente e fascinante, levarei comigo para a vida toda.

Faria tudo novamente, menos pagar os vinte euros pela foto do macaco.

Não tem como voltar de uma viagem como esta igual a quando chegamos. É uma experiência de vida, onde testamos os nossos limites e percebemos o tão longe conseguimos chegar. Depois de sair vivo desta creio que não exista nenhum obstáculo que eu não possa superar.

Passei a dar muito mais valor a que eu tenho agora, depois de ver tantas pessoas vivendo sem nada, nunca poderia imaginar que existissem pessoas que vivessem no meio do deserto, no meio no nada, e nós com tantas coisas ainda encontramos motivos para reclamar.

Deserto do Saara

Tuesday, January 5th, 2010

Um dia depois de chegar a Marrakech, fomos conhecer o deserto do Saara, a experiência mais incrível da minha vida. Tudo que eu tinha visto até então me impressionou muito, mas nada comparado com a sensação de estar no meio do deserto do Saara.

O dia começou cedo, após assistirmos a cerimônia de casamento e dormir ao som da música que animava os convidados, levantamos as cinco horas da manhã e seguimos para a praça dos macacos, como era muito cedo não havia quase ninguém nas ruas e mais uma vez fomos de táxi, seis no mesmo carro. Os macacos também ainda não haviam chegado à praça, mas eu olhava com cuidado por onde andava para não encontrar nenhum deles pelo caminho e dessa vez se encontrasse era eu quem iria mordê-los. Tomamos café da manhã, me impressionou o sabor das frutas de lá, foi o melhor suco de laranja que eu já tomei, e as bananas e maçãs também são muito mais saborosas que as do Brasil, também compramos muitas garrafas de água, pois não sabíamos ainda ao certo  o que iríamos encontrar pela frente.

Entramos na van que iria nos levar, e quando o motorista chegou, descobrimos que ele falava somente francês e árabe. Idioma que nenhum de nós tinha conhecimento.

Eu fui no banco ao lado do motorista e ele olhava pra mim, falava, falava e eu não entendia nada, mas fazia com a cabeço como se estivesse entendendo tudo o que ele dizia. Usamos muita mímica para nos entender, o que no fim nos ajudou muito.

O caminho para chegar ao deserto é longo, de onde estamos eram dez horas de van.

Através do vidro do carro, enxergava outra realidade, algo muito distante do que eu estou acostumado a ver pelas ruas. Ao mesmo tempo em que estávamos muito próximo daquela diferença cultural, me sentia longe e protegido pelos vidros do carro. Sentia-me fazendo um safári, e as pessoas na rua eram os animais.

Após algumas horas quando chegamos à estrada o caminho se tornou monótono e os onze que estávamos na van dormiram. Conforme o carro me balançava acordava um pouco olhava a paisagem e voltava a dormir. Quando o sol saiu de vez, ficou muito calor dentro do carro o que fez com que abríssemos os vidros. O tempo estava muito seco e a poeira piorava tudo. O nariz e a garganta são os primeiros que sofrem com esse tempo.

A cada instante a paisagem mudava, e olhando pela janela parecia um filme que seguia mudando de ritmo. Passávamos por lugares onde não havia nada e de repente surgia um povoado com algumas casas feitas de barro como se fosse castelinho de areia, e do nada desaparecia tudo e voltava à estrada sem nada, até aparecer alguma árvores e plantas que também sumiam pelo caminho.

A única construção grandiosa que vimos pelo caminho foram estúdios de cinema que estavam no meio do nada, e que serviram de cenário para filmes como Gladiador e a Múmia. Eram grandes muros que cercavam as construções e conseguíamos ver alguns restos de cidade cenográfica. O motorista nos explicou, e nessa hora eu praticamente já entendia tudo que ele falava, no horário em que passamos o estúdio estava fechado, mas que era possível fazer visitação no local. A cidadezinha próxima aos estúdios era a que havia mais construções.

O que me chamou muito a atenção, foi em uma dessas cidades que surgiam no meio do caminho da estrada, não havia quase nada, apenas uma parede com uma janela e uma placa com o símbolo da coca-cola pintado. Para entender o poder de uma marca, naquele lugar no meio do nada existia uma propaganda de um produto conhecido e consumido no mundo inteiro.

Depois de muito tempo de viagem, ainda estávamos na metade do caminho e nessa hora todos já estávamos com fome. Paramos para almoçar e o restaurante também era perdido do meio do nada. Foi a primeira vez que eu comi a comida do Marrocos. Não sabia o que pedir, olhava para o cardápio, escrito em inglês, (porque ali era um típico ponto turístico) optei por arroz frango e fritas. Quando a comida e a bebida chegaram, tive duas surpresas, a comida era boa e a garrafa da coca cola era escrita em árabe.

Depois de comer seguimos a viagem, ainda faltava muito para chegar, no final da estrada em que estávamos avistamos de longe uma montanha, e o motorista da van explicou que iríamos subir a montanha e descer do outro lado, eu achei que havia entendido errado, mas foi exatamente isso que fizemos.

Andamos pela pior estrada que eu já andei na minha vida. Pior que qualquer serra que existe no Brasil. Era uma estradinha estreita, com pouca sinalização e os carros que cruzávamos estavam em alta velocidade. Fazíamos curvas pelo caminho, onde de um lado era a montanha e do outro o penhasco. Algumas vezes o motorista queria conversar e olhava para os lados para explicar o que queria dizer e todos ficávamos apreensivos dele tirar os olhos e atenção da estrada. E nessa hora ninguém mais conseguia dormir. Admirávamos a paisagem, eram surpreendentes os desenhos naturais formados nas rochas, tentei olhar para todos os pontos que não fossem a estrada, porque essa dava muito medo.

Fizemos algumas paradas no meio do caminho para ir ao banheiro e comprar alguns souvenires. Quando ele nos avisou que estávamos fazendo a última parada antes de chegar, compramos lenços para colocar na cabeça e chegar a caráter no deserto.

O final da viagem eu conto no próximo texto.

Marrocos da beleza e do caos

Tuesday, December 15th, 2009

Desembarcar no aeroporto de Marrakech no Marrocos é como descer de uma nave em outro planeta há duzentos anos atrás.

Após descer do avião, passar pelo raio x e pela policia tive que me habituar aos poucos com o lugar em que estava. Tudo era completamente diferente. Ainda no aeroporto trocamos o dinheiro, 1 euro, valem 11 Dirham, dinheiro do Marrocos, com 140 euros eu tinha pouco mais de 1.340 Dirham. Saindo do aeroporto e vendo uma das avenidas da cidade já impressionava pelo trânsito caótico, porém o mais impressionante mesmo foi ver uma mulher com a burca pela primeira vez. Elas andam pelas ruas cobertas dos pés a cabeça, somente com os olhos enigmáticos aparecendo. Olhos que ao mesmo tempo expressão muito e não dizem nada. Buscamos um taxi para chegar até o nosso albergue, estávamos em onze pessoas, e subimos em 6 dentro de um carro. Andando pela cidade a bagunça no trânsito era pior que São Paulo e a pobreza nas calçadas chamavam muito atenção.

Algum tempo depois o motorista do táxi disse que o endereço que buscávamos estava perto, mas que o carro não passava pelas ruas, teríamos que seguir andando. Tínhamos um mapa e o nome da rua nas mãos e fomos procurando o lugar. Andamos por ruas, becos e vielas e não encontrávamos o nosso hostel. Perguntei para uma senhora que olhou o papel e começou a resmungar em árabe, lá as mulheres não sabem ler nem escrever, e elas não podem falar com outro homem a não ser seu marido. Quando nos aproximamos de outra para perguntar a ela o endereço, logo um rapaz de bicicleta veio e disse que não conhecia o nome da rua. Andávamos de um lado para o outro sem saber o que fazer. Estávamos em um país completamente diferente do nosso, com uma língua estranha e costumes inusitados.

Nessa hora o instinto de sobrevivência fala mais alto, eu tinha certeza que mais cedo ou mais tarde encontraríamos o que estávamos buscando, e torcendo para que fosse o quanto antes. Todos os turistas que víamos pela rua perguntávamos sobre o nosso endereço na esperança que alguém conhece-se o lugar em que iríamos dormir, mas nada, os que nos entendiam pouco podiam ajudar. Depois de muito tempo andando sem rumo um senhor se prontificou a nos ajudar, um francês que falava um pouco de inglês disse para que nos o acompanha-se, porem depois de andarmos muito não encontramos o nosso albergue, foi quando um senhor perguntou aonde iríamos e quando mostramos o endereço a ele nos disse que já havia trabalhado nesse lugar. Nos acompanhou ate a porta do albergue, e percebemos que já havíamos passado por esse lugar algumas vezes. A recompensa foi grande, quando entramos no albergue parecia cenário de novela, com mosaicos pelas paredes e portas típicas de filme. Um funcionário nos levou até o terraço para esperarmos porque os nossos quartos ainda não estavam prontos. Do lugar em que estávamos tínhamos uma vista de grande parte da cidade.

Depois de um tempo esperando o funcionário do lugar nos serviu um chá. La eles não tem nada, mas o pouco que possuem dividem com os turistas e não medem esforços para nos agradar. Ele nos disse que a noite haveria um casamento típico no restaurante, foi ai que eu comecei a entender o lugar em que estávamos, era um quarto nos fundos de um restaurante. Nada com muito luxo ou muito conforto, apenas um lugar para passar a noite. Dentro do quarto havia três camas e um banheiro, que não tinha porta, e tudo era muito baixo, tinha que me policiar para não bater a cabeça no teto. Depois de deixarmos as coisas no quarto fomos conhecer o centro da cidade, mas a essa hora todos já estávamos com muita fome, decidimos almoçar McDonalds, pois ainda não sabíamos como era a comida de lá e limpeza percebi que não havia em nenhum lugar.

Andando pelas ruas ao redor do lugar em que estávamos me senti em meio a uma grande favela, onde nenhum serviço básico, como o esgoto, parecia existir. Muitos velhos ficam sentados pelas ruas pedindo esmola, alguns expõem doenças na face e pelo corpo que impressionam ao primeiro olhar. A rua não tinha asfalto, era terra batida, e tudo era muito empoeirado. Andamos até uma praça onde pegamos um táxi, e novamente 6 pessoas no mesmo carro, e chegamos ao McDonalds, típico ponto para encontrar turista em qualquer lugar do mundo, o lanche é muito parecido com o Brasil, a exceção é o Mc Arábia, um lanche com pão sírio e carne moída (que eu pensei ser carne de camelo, mas não era).

Quando saímos do restaurante vimos uma discussão na rua entre duas mulheres e muitas pessoas envolta observando. Andei pela avenida principal da cidade, e a cada placa que via na rua estava escrita em árabe e com tradução em francês o que não nos ajudava muito. Seguimos ate uma mesquita, um lugar que eles têm muito respeito e é o cartão postal da cidade. Chegamos até a praça de comércio da cidade onde haviam muitos animais soltos (e merecem um post só sobre eles).

Depois de andar muito, o choque cultural é gigantesco, os costumes, tudo era completamente diferente do que eu estava acostumado, mas foi um aprendizado incrível. Voltamos para o hostel, porém dessa vez havíamos esquecido o mapa com o nome e tudo mais em cima da cama, andamos por horas e horas até encontrar novamente o albergue. Mais uma vez o instinto de sobrevivência fala mais alto, e temos que estar preparados para todas as adversidades de uma viagem como essa.

Higiene é uma coisa que eles não possuem, entre os becos e vielas havia algumas ruas de comércio e a cada portinha uma infinidade de produtos diferentes, em meio aos carros que passavam e as motos, as bicicletas, os cachorros, os burros de carga, um caos!

Como o nosso dinheiro vale muito mais que o deles, pechinchar os preços é imprescindível para fazer boas compras, por indicação de outros brasileiros que encontramos na viagem, achamos um guia que nos levou em uns becos onde eles vendiam as mercadorias para os ambulantes revenderem. Se um colar custa 50 Dirhans, eles pedem 200 Dirhans, e nós oferecemos cinqüenta, eles dizem que é pouco, e ai começa a negociação e vence o mais forte, quanto mais firme somos na nossa oferta mais eles vão reduzindo os preços. Depois de um tempo se torna divertido negociar com os vendedores, sempre oferecemos o mais baixo possível, ou pegamos algo com as mãos olhamos, olhamos, falamos: “não quero” e saímos, ai o vendedor vem atrás e reduz o preço, e assim segue em cada loja.

A frase que mais me marcou durante a viagem, foi dentro de uma dessas lojas que vendem suvenires típicos marroquinos, eu perguntei o preço de uma caixa de madeira e disse que era estudante brasileiro, que não tinha dinheiro, que era pobre e era do Brasil, foi quando o vendedor olhou nos meus olhos e respondeu, “Marrocos é pobre, Marrocos não tem dinheiro, Brasil rico”. Olhei para ele engoli seco e refleti muito com essa frase.

Nós vivemos com tanto, e sempre encontramos problemas em nossas vidas e eles vivem sem nada e vivem, vivem sem perspectiva nenhuma de futuro, levam a vida ao acaso, não fazem planos.

Todos expressam no rosto muito sofrimento, e desilusão, é um povo esquecido. Para nós que estamos acostumados com tantas regalias e tecnologias, e eles não possuem nada de moderno, nada de novo, tudo é muito antigo, velho, porém tudo é muito impressionante. Estar por esse período na cidade foi à experiência mais enriquecedora da minha vida.

Passeio Sábado – Santiago, Chile

Wednesday, December 2nd, 2009

Seguindo a programação, Sábado nosso dia era livre e combinamos de fazer um passeio pela cidade.

Saimos a pé do alto até a estacao Escuela Militar de metrô, fomos de metrô até a estação San Pablo.

Caminhamos até o parque Arauco para, através do Funicular, ver a cidade toda de outro ponto de vista.

Na chegada do parque haviam 02 senhores, cada um com uma lhama, e pedimos para tirar fotos com os animais. Os senhores disseram que para tirar foto precisavamos para 500 pesos chilenos (mais ou menos 2 reais).

Nos desisitimos porque achamos um absurdo, mas eu dei uma disfarçada e tirei uma foto escondida – esta mais abaixo.

O funicular e uma especie de trem, que sobe aproximadamente 400 metros, e da acesso ao Zoologico de Santiago e, mais alto, a uma vista privilegiada da cidade.

É um passeio muito procurado por turistas e amantes de esportes, que fazem caminhadas ou fazem o trajeto com bicicletas.

Eu, como tenho muito medo de altura, não posso falar da vista no trajeto do Funicular – só vi pelas fotos tiradas pelos colegas dos MBAs. Mas não perdi o passeio, pois queria chegar ao topo do Parque.

No topo encontramos algumas lojinhas de artigos locais e lanchonetes.

Depois da descida, caminhamos até o Patio Bela Vista – um boulevard de pequenas lojas e muitos restaurantes e bares – e almoçamos no restaurante RockFest.

Confiram as fotos:

La pasta del dia

Friday, November 6th, 2009
parece maquina de cassino

parece maquina de cassino

A melhor opção para quem não sabe cozinhar, ou para aqueles que tem aula durante todo o dia na Universidade, é comer no refeitório da UEM. A comida não é igual a do Brasil, alias nada que eu comi aqui até agora é parecido com o tempero brasileiro, algumas coisas são menos piores. O que mais vale o investimento e lembra de longe um pouco da comida do Brasil, é a pasta del dia. Um macarrão ao estilo Espoleto, você escolhe entre dois tipos de massa, dois tipos de molho e três ingredientes, e ainda ganha um pão e pode colocar queijo ralado. Tudo isso por 3,15 euros, por isso que eu disse que vale o investimento. Existem outras opções como o menu do dia, que consiste em um prato de entrada (primer plato), prato principal (segundo plato) salada (ensalada) e sobremesa (postre). Mas visualmente não é atrativo, além de ser mais caro que o macarrão. Para os que gostam de algo menos saudável, tem hambúrguer (hamburguesa), batata frita, pão com bacon, pão com salame. Varia conforme o gosto e o bolso de cada um.

tira o ticket

tira o ticket

O refeitório é um ótimo lugar para passar o tempo, mesmo para quem não vai comer nada, as mesas são todas unidas, o que torna o ambiente convidativo a conhecer outras pessoas e propicio a fazer novas amizades. Sempre tem algum conhecido por perto e ficamos muito tempo batendo papo.

Segunda e terça feira um intervalo de duas horas entre o final de uma e o começo da outra aula, por isso sempre fico aqui na universidade e almoço no refeitório. O que mais faz falta aqui é aquele pão de queijo no intervalo das aulas da Anhembi Morumbi, as comidas que eles comem de manhã são muito pesadas para quem não está acostumado com um pão francês de 5 tiras de bacon pingando de óleo.

pede o prato

pede o prato

Quando chegando ao refeitório temos que buscar o ticket do que queremos comer, parecem maquinas de cassino, coloca a moeda e aperta a opção desejada no painel e ela devolve o troco e o ticket, depois é só entrar na fila, que eles respeitam muito e olham com cara feia se alguém tenta passar na frente. Como sempre tem algum conhecido já fico conversando na fila e treinando mais ainda o idioma. As moças que nos atendem e fazem as massas são muito simpáticas, quando não sei do que se trata algum ingrediente ela tenta explicar de alguma maneira, até com mímica, (imagina ela me mostrando o que era carne de frango e batendo as asas), quando eu não sei pronunciar o nome de alguma coisa eu pergunto a ela e digo como se falava em português também. Dependendo do lugar que sento e de quem esta na mesa, o almoço que poderia ser de vinte minutos se estende ate por quase uma hora, assunto nunca falta para conversar e sempre temos a oportunidade de conhecer outras pessoas, amigos dos amigos que sentam junto.

bom apetite

bom apetite

Então não se preocupe, se você for estudar aqui na Universidad Europea de Madrid, e não sabe cozinhar, fome você não passa.

Beijos e abraços

Gustavo Viotto