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De camelo no deserto

quarta-feira, janeiro 6th, 2010

Depois de comprar os lenços e ficar a caráter para chegar ao deserto, o carro parou mais uma vez e o motorista disse para pegarmos nossas mochilas e os outros pertences, descemos no meio de um “estacionamento” de camelos. Após dez horas de viagem dentro da van, seguiríamos mais uma parte do trajeto andando de camelo. Não faltava mais nada para me sentir dentro de um filme. Estar a caminho do deserto, vestido como um árabe em cima de um camelo, a viagem me surpreendia cada vez mais.

Subimos cada um no seu camelo, eles estavam amarrados uns aos outros em duas fileiras, onze animais no total, e dois homens puxando os bichos no inicio da fila.

A sensação de andar a camelo não é das mais confortáveis que existe, mas tudo faz parte para entrar no clima dessa experiência. É mais desconfortável que uma bicicleta, balança mais que uma moto velha e é duas vezes mais alto que um cavalo.

A diferença com o cavalo é que não tinha cela e nem onde apoiar os pés. Em cima do camelo tinha uma estrutura de ferro onde segurávamos, e um saco de areia com um cobertor que íamos sentado em cima.

Seguimos andando por uma hora, e pelo caminho não faltaram risadas e gritos de “ai minha perna” e “o que eu to fazendo aqui”, mas foi muito divertido, uma experiência única e indescritível, somente quem já passou por isso sabe como estávamos nos sentido. No meio do caminho um dos camelos se soltou do outro e fiquei para traz, mas logo veio um dos homens que estava puxando no inicio e nos colocou de volta na fila. Com isso nos juntamos a outros grupos que estavam no mesmo passeio que o nosso, e como não poderia deixar se acontecer encontramos mais brasileiros.

Começou a anoitecer e ainda não havíamos chegado a lugar nenhum. Iríamos passar uma noite dormindo no deserto do Saara e no dia seguinte voltaríamos para a cidade.

Quando ninguém mais agüentava estar em cima dos camelos eles pararam e de um em um foram fazendo os camelos deitarem (na posição em que fica no presépio). Como as patas são muito grandes, o animal deita em duas partes, primeiro fica com os joelhos da frente no chão e depois as patas de traz, esse movimento da um tranco, e quem não estiver segurando firme, e mais desavisado pode cair no chão.

O céu estava escuro e não tinha luz nenhuma no lugar, improvisamos luz com as maquinas fotográficas e com os celulares, que surpreendentemente estavam com sinal para fazer ligação do meio do deserto.

Os grupos foram levados cada um para sua tenda, assim que chegamos à nossa, descobrimos que iríamos dormir no chão. Cada barraca tinha colchonete, cobertor e travesseiro para cada um. Banheiro não existia, era preciso usar a criatividade para se aliviar. Nossa sorte é que havíamos levado muitas garrafas de água e algumas barras de chocolate.

Depois de nos acomodar da maneira que dava e dividir onde cada um iria dormir, entrou na nossa tenda um beduíno, aquelas pessoas que vivem no deserto, nos deu as boas vindas e disse algumas palavras em árabe e outras em inglês. Depois ele voltou e nos serviu um chá, que era cheiroso, mas estava muito quente. Enquanto ele colocava o chá nos copos e nos servia, falava um nome árabe para cada um de nós, o meu foi Mohamed.

Depois do chá ele voltou com o jantar. Erram umas panelas de barro cobertas com uma tampa. Dentro da tenda tínhamos um lampião, que além de iluminar um pouco esquentava a barraca. Como a luz era pouca, não enxergávamos muito bem a limpeza ou a falta delas, o negocio era fechar o olho e comer o que tinha. O jantar foi pão, sopa, salada e frango com batata e verduras. O tempero é um pouco forte, mas o sabor é agradável. A sujeira do lugar dava um temperinho especial.

Após comer eles nos avisaram que teria uma apresentação de música ao redor da fogueira. Quando eu sai da barraca me surpreendi com a quantidade de estrelas que tinha no céu, nunca tinha visto daquela maneira. Conforme olhávamos atentamente as constelações vimos algumas estrelas cadentes.

No show que eles faziam ao redor da fogueira, batucavam em uns tambores de plástico e cantavam as músicas na língua dele, que não entendíamos nada, apenas ouvíamos o ritmo. Tudo estava fascinante, eu ainda me sentia no meio de um filme, mas o clima de deserto acabou quando tocou o celular de um dos beduínos que estava cantando e ele parou de batucar e saiu para atender o telefone.

Os brasileiros eram maioria, e como onde tem brasileiro tem festa, pegamos os tambores e batucamos e cantamos algumas musicas brasileiras famosas. Depois do nosso show voltamos a nossa tenda para dormir.

O mesmo homem que serviu o jantar e foi atender o celular, veio nos dizer para apagar o lampião durante a noite. Fizemos e nos arrependemos. Durante a madrugada faz muito frio no deserto, e estávamos dentro de uma tenda de pano, com um cobertor cada um. Eu dormi com duas calças e três camisetas e o moletom com o gorro por cima. Se não tivéssemos apagado o lampião talvez não sentisse tanto frio.

O dia seguinte começou cedo novamente, fomos acordados com eles cantando as músicas do dia anterior, mas como fazia muito frio ninguém tinha vontade de fazer nada e nem sair de baixo das cobertas. Mas criamos coragem, levantamos e saímos de dentro das barracas para ver o deserto pela primeira vez, até então estava tudo escuro e não conseguíamos enxergar muito longe. Do lado de fora havia uma mesa com um café da manhã, com leite, chá, pão e manteiga.

A paisagem é muito bonita, com dunas em todos os cantos, umas maiores outras pequenas, depois de comer fomos tirar fotos em meio à areia. Durante o dia e com a luz da para entender como cada um usou a criatividade para ir ao banheiro.

Andávamos, pulávamos e tirávamos muitas fotos. Queria registrar tudo, mas minha decepção foi quando a bateria da minha câmera acabou, e tomada era a última coisa que existiria num lugar deste, porém estávamos em muitas pessoas e haviam outras máquinas para fotografar.

Depois de tirar muitas fotos, já fomos avisados que teríamos que voltar. E lá se foram mais uma hora andando de camelo até chegar a van e mais dez horas dentro do carro, na mesma estrada com curvas perigosas para voltar para a cidade.

No meio do caminho tivemos algumas outras surpresas, em uma das paradas que fizemos para tirar foto, havia um senhor sentado ao lado de uma caixa de madeira e outro vendendo quadros com pinturas do deserto. Juntamos-nos para tirar fotos, a paisagem era incrível, parecia que tudo havia sido montado para estarmos ali. Depois de tirar a foto e quando estávamos voltando para a van, olhamos para o senhor que estava sentado ao lado da caixa, e ele tirou de dentro dela uma Naja. Pegava a cobra, dançava, colocava em volta do pescoço, colocava na testa, beijava. E observando aquela cena inusitada, não dava para saber quem estava enfeitiçado, o senhor ou a cobra. Esse sim merecia os vinte euros pela foto.

Chegamos à noite em Marrekech, ainda tínhamos pouco tempo para fazer as últimas compras e no dia seguinte pegar o avião de volta para Madrid.

Essa experiência foi única, surpreendente e fascinante, levarei comigo para a vida toda.

Faria tudo novamente, menos pagar os vinte euros pela foto do macaco.

Não tem como voltar de uma viagem como esta igual a quando chegamos. É uma experiência de vida, onde testamos os nossos limites e percebemos o tão longe conseguimos chegar. Depois de sair vivo desta creio que não exista nenhum obstáculo que eu não possa superar.

Passei a dar muito mais valor a que eu tenho agora, depois de ver tantas pessoas vivendo sem nada, nunca poderia imaginar que existissem pessoas que vivessem no meio do deserto, no meio no nada, e nós com tantas coisas ainda encontramos motivos para reclamar.

Ônibus voador

segunda-feira, dezembro 28th, 2009

Devido à proximidade de alguns dos paises europeus, viajar pelo continente é fácil, a distancia entre eles, às vezes, é menor do que a de cidades dentro do Brasil.

O que facilita ainda mais as viagens por aqui, são as empresas aéreas de baixo custo, que vendem passagens baratas de avião a diversos destinos. O que torna um motivo a mais para aumentar a vontade de conhecer as diferentes culturas.

Porém nem sempre é fácil uma viagem nessas empresas.

Sempre temos que estar de olho no site das companhias para ver se existe alguma promoção, se tem algum destino que esta mais barato. É possível encontrar um vôo de Madrid até Porto em Portugal, por irrisórios dois euros, ou para Londres por 17. Foi em uma dessas que eu encontrei as passagens para o Marrocos por 39 euros.

Tudo é pago com cartão de crédito e nessa hora nem tudo é o que parece ser. Muitas vezes as passagens que tem um valor muito baixo, possuem taxas de emissão, taxa de chek in oline, taxa do cartão de crédito, e diversas outras taxas, que fazem aumentar o preço final da passagem, mas mesmo assim continua barato se considerarmos o destino que iremos conhecer.

Após comprar pelo site, recebemos um e-mail com a confirmação da compra. Quinze dias e até quatro horas antes do vôo, temos que imprimir o bilhete da internet e quando chegamos ao aeroporto temos que carimbá-lo no guichê da companhia.

Os horários dos vôos são preestabelecidos, e na maioria das vezes são os horários mais adversos. Faz com que tenhamos que dormir no aeroporto na véspera do vôo, pois a linha de metro e ônibus só começam a funcionar a partir das 5 horas da manhã, e se o vôo sai as 6, não conseguiríamos chegar a tempo. Se não estiver sozinho a tarefa de dormir no aeroporto se torna divertida, sempre tem muita gente que opta pela mesma opção, e se acomoda onde cabe, no chão, encostado no poste, na parede, deitado no sofá, em cadeiras, no carrinho de colocar as malas, enfim vai de cada um.

Baralhos e jogos fazem o tempo passar mais rápido, ou então um livro ou revista se tornam outra opção de passatempo.

O avião das companhias low coast, são apelidados de ônibus voador. Não possuem nenhuma mordomia que as grandes aeronaves oferecem aos seus clientes.

Só é permitido levar uma bagagem de mão pequena, caso o tamanho da mala exceda o permitida pela cia, eles cobram uma multa, que muitas vezes é mais cara que o valor da passagem. Sempre temos que tomar cuidado com o tamanho das malas que fazemos de acordo com os dias que ficaremos viajando, levando somente o necessário.

Líquidos e objetos cortantes são proibidos. Embalagem de shampo ou de pasta de dente muito grande eles obrigam a jogar fora antes do embarque. Nem mesmo garrafa de água é permitida.

Dentro do avião é cada um por si, as passagens não tem acentos definidos, para entrar antes e ter o privilégio de escolher seu banco, é necessário pagar uma taxa adicional, e aqueles que chegam antes escolhem melhor seu lugar. Eu prefiro sentar próximo as saídas de emergência, onde o espaço para as pernas é maior.

O banco não reclina, e para dormir ficamos com a cabeça inclinada para frente.

Antes de decolar as aeromoças passam os comandos, como acontece em qualquer vôo, e nada mais, não existe serviço de bordo, caso desejar comer alguma coisa, são vendidos lanches, sucos e refrigerantes, mas são produtos caros.

Como o tempo de vôo é curto, não sentimos muito a viagem. A expectativa pelo que vamos conhecer é grande e torna qualquer percalço desses facilmente superáveis.

Às vezes temos problemas com as malas na volta. Se já sair de casa com a mala cheia e no lugar em que estivermos comprar muita coisa, a mala não vai fechar. E para não ter que pagar multa por excesso de bagagem, vestimos varias roupas, como colocar duas calças jeans, vestir camiseta, camisa, moleton, jaqueta e o abrigo, colocar quatro meias, enrolar camisetas e guardar no bolso, tudo  para aliviar o espaço da mala, algumas pessoas parecem estar de armadura, devido a quantidade de roupas que vão vestindo, e andam pelos estreito corredor do avião com um pouco de dificuldade.

Porem tudo isso faz parte para que a nossas experiências sejam ainda mais proveitosas.

Para conhecer mais das ofertas de vôos de baixo custo pela europa visite:

www.ryanair.com

www.easyjet.com

www.vueling.com

beijos e abraços

Gustavo Viotto

Feriado em Marbella

sexta-feira, novembro 6th, 2009

Assim como no Brasil, dia 12 de outubro também foi feriado aqui na Espanha, em comemoração ao descobrimento das Américas. Não poderia perder a oportunidade de fazer uma viagem e conhecer outras regiões da Espanha. No inicio os destinos eram muitos, porém depois de conversar com todos que iriam comigo optamos por conhecer Marbella, uma cidade de praia que fica ao sul da Espanha. Todos que já conheciam essa cidade somente nos haviam elogiado, e por muitos dizerem que o calor estava terminando, optamos por aproveitar os últimos dias de sol na praia.

procurando o caminho com mapa e gps

procurando o caminho com mapa e gps

Optamos por ir de carro, que nos pareceu a maneira, mas viável, e onde teríamos mais proveito da viagem, alugamos um carro com GPS. No geral as estradas aqui são muito boas e muito bem conservadas, e o guia nos indicava o caminho certo para seguir, e as direções que devíamos tomar. É muito engraçado ouvir as instruções do aparelho com um forte sotaque carregado do português de Portugal.

Em pouco mais de cinco horas de viagem já avistamos a placa que apontava para Marbella. Não fomos os únicos que tivemos a idéia de ir para essa cidade, logo na entrada passamos por um pequeno congestionamento, que indicava que a cidade estaria cheia no feriado prolongado (puentes, como eles dizem aqui). O que impressionou logo de inicio foram os carros que estavam ao nosso lado, Ferrari, Audi, Hummer, e tantos outros que eu não sei nem qual a marca, mas todos carros de luxo.

fachada do hostel

fachada do hostel

Assim que chegamos, a primeira coisa a fazer era procurar o nosso Hostel (albergue), e para não cometer o mesmo erro de Valencia, eu mesmo anotei o nome e o endereço em um papel e guardei na minha carteira e enviei uma cópia para meu e-mail, para não ter erro de perder o endereço. A rua para chegar até lá era fechada para carros, estacionamos em uma rua tranqüila, pegamos o GPS e digitamos o endereço final e fomos andando com ele nas mãos até chegar à porta do albergue, uma cena muito engraçada. Dessa vez o albergue não me surpreendeu como o primeiro que eu fui, em Valencia, esse era normal, não tinha nada de especial ou de diferente, o mais importante é que a cama era confortável. O que chamou minha atenção foi que o dono do lugar na ESPANHA, só falava em inglês. Eu perguntei se a praia estava perto, em espanhol e ele me respondeu em inglês. Pensou que éramos americanos ou ingleses não sei, mas não falou nada em espanhol.

finalmente a verdadeira paella

finalmente a verdadeira paella

Depois de deixar as coisas no quarto seguimos para a praia, que é diferente do Brasil. Nem melhor nem pior, apenas diferente. A areia é escura e mais grossa, a água do mar é muito gelada e verde claro. Nas praias aqui na Espanha o Topless é permitido, o que para eles é muito normal.

Depois de tanto tempo de viagem estávamos com muita fome, e foi estranho encontrar vários restaurantes com a cozinha fechada, ainda não era noite e havia pessoas no calçadão, mas eles têm uma relação muito estranha com os horários dos restaurantes, se você tiver fome aqui de madrugada, você morre de fome, porque não tem nenhum restaurante 24 horas. Dessa vez eu conheci a verdadeira pela que sempre me falaram, com os frutos do mar, camarão e tudo mais. Terminamos de almoçar ficamos um pouco na praia, e logo o sol começou a baixar, voltamos para o hostel descansar para conhecer a noite da cidade.

puerto banus

puerto banus

Fomos ao Porto Banus, um lugar um pouco longe de onde estávamos, mas muito bonito. Onde tem as festas, as lojas de grifes, e um iate club, onde um iate chamava mais atenção que o outro. Eu nunca tinha visto um congestionamento de Ferrari na rua, vi quatro em um mesmo quarteirão. Fomos a uma festa que ganhamos na rua, e voltamos para casa às oito horas da manhã. No dia seguinte mais praia o tempo estava ótimo, fazia muito sol e diferente do que pensei a praia não estava lotada, dessa vez fomos almoçar em um restaurante de comida indiana, muito bom e muito diferente.

Apesar da água ser muito fria não resisti em tomar um banho de mar.

congelando aos poucos

congelando aos poucos

No dia seguinte continuamos o dia todo na praia e aproveitamos até o ultimo raio do sol para só então voltar e seguir para Villaviciosa. Já havíamos fechado a conta do hostel e não poderíamos voltar para ele para tomar banho e tampouco viajar sujo de areia, a única opção que restou foi tomar banho na praia, outra cena muito engraçada que vou guardar dessa viagem, tomar banho na ducha com as pessoas passando ao lado e olhando.

Resumindo Marbella é uma cidade onde não existem carros velhos e nem pessoas feias.

Beijos e abraços

Gustavo Viotto

Tudo que vai volta

quinta-feira, outubro 22nd, 2009

Parece que faz tanto tempo que eu estou aqui na Espanha, mas na verdade faz quase dois meses. Já me habituei à rotina e às vezes até esqueço que estou longe de casa, me sinto como se sempre estivesse morado aqui.

isso se chama ponto de onibus

isso se chama ponto de onibus

O problema de se habituar tanto a rotina é que as vezes ligamos o piloto automático e fazemos certas coisas sem perceber, por já estar habituada a fazê-lo. Foi o que aconteceu hoje de manhã, geralmente eu vou andando para a universidade, e não demora mais que vinte minutos o percurso, porém alguns dias a preguiça é maior ou estou em cima da hora e então uso o ônibus para chegar ate a universidade. Fazer qualquer coisa com sono é ruim, andar de ônibus então é pior ainda. Eu fiz como sempre faço, fui até o ponto de ônibus que é perto da minha casa fiquei esperando o ônibus e subi no primeiro que parou, porém eu entrei sem perguntar para onde ia e sem ver o número que identifica o trajeto que eles fazem aqui por Madrid.  Segurava os olhos abertos para não dormir encostado na janela, queria chegar mais cedo na aula e colocar algumas coisas em ordem, levei um susto quando o percebi que ao invés do ônibus virar à direita que é o sentido da Universidad Europea de Madrid, ele virou para a esquerda na estrada e foi andando para um destino que eu nunca tinha visto. Ai eu acordei e percebi que estava no ônibus errado e que ele não iria para o meu destino. Quanto mais ele andava mais eu percebia que estava perdido, e não queria perguntar para ninguém, pois eu não sabia onde estava indo. Depois de um tempo andando na estrada o ônibus parou em um povoado e eu desci no primeiro ponto de ônibus que eu vi, não fazia idéia de onde eu estava, e não havia ninguém para quem perguntar. Foi quando eu vi uma mulher se aproximando e pensei que ela poderia me ajudar, perguntei como chama o lugar que eu estava e ela me respondeu com um sotaque espanhol que eu entendi bem. – Você esta em um ponto de ônibus, eu disse que entendi mas perguntei como chamava o lugar, e ele respondeu de novo ponto de ônibus, desisti de tentar falar com ela para que ela entendesse minha pergunta, sentei e fiquei esperando o algum ônibus passar, pensei comigo mesmo se um ônibus vem o outro volta, e não deve demorar muito para passar o próximo, minha sorte era que tinha meia hora de antecedência para o inicio da aula.

depois de muito tempo eu descobri o nome da cidade

depois de muito tempo eu descobri o nome da cidade

Depois de esperar um pouco eis que suje um ônibus eu dou sinal, mas ele passa reto, achei que havia alguma coisa errada comigo, mas atrás estava escrito cerrado. Voltei sentar e esperar mais um pouco, não demorou muito e um próximo ônibus apareceu, antes de entrar eu perguntei se ele voltava para a Villaviciosa, pois eu não podia pegar outro ônibus errado no mesmo dia. Minha sorte foi que dessa vez a parada era em frente à universidade, não tinha como errar. Cheguei à aula a tempo de começar a fazer um trabalho de fotografia e contei ao professor tudo que tinha acontecido, ele só deu risada e disse “no pasa nada, tudo que vai volta”. E foi essa a lição que eu tirei disso tudo. Primeiro antes de entrar em qualquer ônibus ou mesmo no metro eu pergunto qual é o destino, eu sei que se eu errar o caminho é só descer e esperar o próximo que vai aparecer.

Espero não me perder mais por aqui!

cartaz anunciando a chegada do circo, eu me sentindo um palhaço por estar perdido

cartaz anunciando a chegada do circo, eu me sentindo um palhaço por estar perdido

Beijos e abraços

Gustavo Viotto

Dicas de Transporte Público

terça-feira, outubro 6th, 2009

Antes de começar a escrever as informações sobre como usar o transporte público de Madrid; vou me apresentar.

Me chamo Felipe Aragonez Benevides, me graduei em Jornalismo pela Anhembi Morumbi, em dezembro de 2007. Tive a oportunidade de cursar o sétimo semestre do curso, na Universidad Europea de Madrid. O grupo de alunos em que eu estava foi o segundo, ou seja, era novidade para todos. Foi uma experiência inesquecível que recomendo  a todos. Como eu estava no penúltimo semestre, só pude ficar por 6 meses, já que o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e consequetemente o último semestre devem ser cursados no Brasil.

Villaviciosa de Odón é um lugar muito aconchegante e tranquilo. Eu morei num lugar ainda mais isolado, no bairro chamado El Bosque, com grandes casas, um enorme clube de Golf e ruas com poucos carros. A primeira impressão que tive quando cheguei na cidade foi esta sensação de tranquilidade. Eu pesquisei muito antes da viagem e uma das minhas preocupações foi o meio de transporte.

Eu sou um ciclista urbano convicto e não tive dúvidas e na primeira semana comprei uma bicicleta (mas isto é assunto para outro post). Além de pedalar, andava muito a pé e usava demasiadamente o transporte coletivo. Se você pensa em passar um tempo por lá a dica é: Use o transporte público de Madrid. Funciona muito bem, você consegue chegar em qualquer ponto da cidade usando metrô, trem ou ônibus. Na região de Villaviciosa os ônibus de cor verde da empresa Deblas possuem as principais linhas, que ligam o bairro com a Universidad e com as estações de metrô, Príncipe Pío, Cuatro Vientos, além de bairros próximos como Móstoles e Alcórcon. Para ver linhas, horários e tarifas visite o site da Empresas de Blas y Cia. Lembrando que não tem cobrador, portanto o motorista que recebe o dinheiro.

Para quem for pegar bastante o transporte coletivo a dica é, compre o Abono, que tem preços mais baratos para quem tem até 21 anos. Funciona como um bilhete único, você compra o da sua zona (em Villaviciosa a Zona é B2) e por mês paga um valor. A vantagem dele; é que você usa para entrar tanto no metrô, como no trem e também no ônibus. No site do Metrô de Madrid, tem as informações. Na Villa, o Abono pode ser comprado nas tabacarias, basta levar uma foto 3×4, um documento (no caso dos brasileiros, o passaporte).

metro-madrid

metro-madrid

O que mais me impressionou no sistema de transporte de Madrid foi a quantidade de kilômetros da malha ferroviária deles. Para se ter uma ideia, dá para ir do Aerporto de Barajas até o Centro da cidade usando metrô. São quase 30o km de extensão, com 281 estações. E estão sempre em obras, aumentando ainda mais a quantidade. É fácil arranjar mapas das linhas e estações, mas sempre que tiver em dúvida consulte o site do Metro de Madrid.

Além de ônibus e metrô ainda tem o trem. O famoso e bem estrutarado Renfe. Com o trem você pode viajar pela Espanha toda ou se locomover por Madrid. Os trens que são usados na cidade são chamados de Cercanías, e neles também podem ser usados o Abono. Acesse o site oficial do Renfe ou se preferir vá direto para as Cercanías de Madrid.

As dicas estão dadas. Use bastante o transporte coletivo. Fiquem surpresos com a diferença de tamanho e estrutura. E não se esqueçam, Madrid é uma metrópole, cidade grande, a violência existe. Fiquem atentos com bolsas, celulares, carteiras, na Europa também existe ladrão.

Qualquer dúvida pode falar comigo que tentarei esclarecer. E caso queira saber tudo sobre Villaviciosa de Odón vá no site da Prefeitura.